HENRIQUE PUCCI: Baterista concede entrevista a Over Metal

Henrique Pucci, um dos nomes mais expoentes da bateria Brasileira, cedeu uma entrevista para a Over Metal falando sobre sua fase atual, a polemica saída do Project46 e sua história com a bateria.

Agradecemos ao Henrique Pucci e a Hoffman & O’Brian pela oportunidade.

Confira a entrevista:

Over Metal: Henrique, você hoje é um dos bateristas que mais está em ascensão no cenário, e também é um dos mais virtuosos e híbridos, que migra desde o Hardcore até o Metal Progressivo. Para você, variar estilos exige mais preparação e estudo?

Henrique Pucci: Exige preparação e estudo sim, mas acima de tudo exige realmente gostar dos estilos, acho que na vida sempre passei por isso, eu era muito Metal pro Hardcore e muito Hardcore pro Metal, mas pra mim, Metal, Hardcore, Hard Rock, industrial, EBM sempre estiveram em meus toca-discos, sendo Metal, o principal deles, não tem jeito rs… Gosto de entender o que cada um pede, a linguagem, experiências, a cena como um todo, vejo que “preambulo” por muitas cenas e raramente via as pessoas fazendo isso, até que de uns dois anos pra ca percebi uma interacao maior entre as cenas, o que acho muito bom. Com isso acabei formando laços e amigos em diversas cenas, Metal, Hardcore, eletrônico que vem me ajudando a escrever a minha história, da música e das cenas que estou envolvido. Ouvir o que você quer tocar é fundamental, e depois explorar diferentes linguagens é uma característica que já tenho e da muito prazer em praticar, pois consigo me expressar o que quer que seja sem me limitar a um estilo, tem hora que eu tenho uma ideia Metal, outra hora mais Pop, outra hora mais Hardcore, procuro dar vazão a todas elas, e pra isso é importante ter credibilidade e respeito com quem se toca junto.

 

Over Metal: Você se interessou por bateria muito cedo, vendo que, aos 16 anos, você integrou a banda que te levou para sua primeira turnê internacional, o Dollsflesh. Como e quando surgiu seu interesse pelo instrumento e como você iniciou os estudos?

Henrique Pucci: Surgiu bem cedo, aos 4 anos me juntava aos integrantes da Congada em Minas para tocar meu tambor, assim como na Tip, torcida infantil do palmeiras rs…, fora isso invadi a vitrine da Loja Werill para tocar a bateria que lá estava, que olhava toda vez que ia pro parquinho no centro onde morava, aos 11 ganhei minha primeira bateria, uma Gope usada, a qual dormi embaixo dela por uma semana, formei minha banda no colégio para tocar músicas gospel, pois era uma escola Batista, a qual apoiava a música, e querendo aprender tocar Metallica e Guns and Roses. Toquei em bandas covers até os 16 anos, quando entrei para o Dollflesh e descobri o prazer em se compor e tocar a própria música, é aos 18 entrei para o Paura, banda de Hardcore do cenário Paulistano, que toquei durante 13 anos, excursionando 3 vezes para Europa, e muitos shows no Brasil.

 

Over Metal: Em 2016, por meio de uma publicação no Facebook, o Project46, banda que você integrava desde 2011, anunciava sua saída da banda, e através da mesma rede social, os fãs começaram a acompanhar um verdadeiro “Toma lá da cá” de comentários, nos quais até o ex-baixista, Rafael Yamada, se envolveu, dando a entender que o motivo da saída de ambos foram constantes desentendimentos entre os integrantes. O que realmente aconteceu na sua saída da banda? E após a sua saída, você e os outros integrantes da banda fizeram algum tipo de contato?

Henrique Pucci: Eu fiquei meio sem entender os verdadeiros motivos, mas vou acreditar no que foi me dito, que meu estilo de tocar e de gerir uma banda não agradavam os outros integrantes. “Seria como colocar o Lars no Iron Maiden, não funciona! “ , e “Não dá tempo “ , foi o que foi me dito, tive que aceitar a decisão, muito difícil para mim na época, fiquei surpreso pela quantidade de comentários e a força que as pessoas, amigos e fãs me deram, o que ajudou muito a seguir em frente, me senti aliviado, pois o clima estava ficando pesado, e coisas como a forma da escolha do baixista, e o fato do viniculturas faltar no show de despedida do Rafael me deixavam bem insatisfeitos, ainda mais sem poder contar o real motivo, achei um desrespeito com os fãs, o tempo mostrou que pensamos diferente, ao sair me dediquei aos estudos de bateria e a Ioga e  hoje consigo desenvolver o que não conseguia e estou em um lugar onde meu talento é valorizado,  hoje falo o que meu grande amigo disse, foi a melhor coisas que podia ter acontecido.

 

Over Metal: Em janeiro deste ano, a Noturnall anunciou você como o baterista da nova formação da banda, com a missão de tocar as linhas e substituir ninguém mais, ninguém menos que o “Polvo” Aquiles Priester. Como foi que você recebeu o convite da banda, e, qual foi a sua preparação para tirar as músicas da banda?

Henrique Pucci: Foi uma surpresa, algo inusitado, recebi uma ligação do Thiago e ficamos conversando por horas, relembrando várias épocas, nos demos bem de cara, e aceitei o convite para substituir o Aquiles em alguns shows, achava o som do Noturnall bem legal e agressivo ao mesmo tempo que musical, algo wue eu buscava sem sucesso anteriormente, foi me passado três musicas do Noturnall para tirar, a primeira que toquei foi Human Side, e ja achei muito legal, otimas músicas e otimos músicos, com extremo profissionalismo, acabei recebendo o convite para entrar para a banda, e aceitei com muito prazer, hoje tenho estudado coisas mais variadas, como polirtimia e técnicas para tocar bem solto, fora o Ioga que tenho feito a 6 meses e tem me ajudado muito na vida e na bateria.

 

Over Metal: Recentemente a Noturnall realizou uma mini-turnê com o Alírio Netto e o lendário vocalista do Dream Theater, James LaBrie. E em um desses shows, vocês gravaram um DVD, que por sinal, foi o primeiro DVD da sua carreira.
Qual foi a experiência de participar da gravação desse DVD, que teve uma produção de altíssimo nível, e, como foi o convívio e a responsabilidade de tocar com James LaBrie durante esse curto período.

Henrique Pucci: Verdade, meu primeiro DVD, estava faltando algo do tipo. Vejo que as coisas no Noturnall rolam mais fáceis e em um clima amistoso, e saudável, por isso então pouco tempo, fizemos duas mini tours, uma LIVE, e um clipe e um DVD, isso se deve ao profissionalismo em lidar com tudo. O Labrie chegou com algumas exigências e terminou a tour tomando chopp, comendo coxinha é dando muitas risadas com a gente no bar Filial depois da gravação do DVD, ele é uma pessoa fantastica, ao chegar e sentir que estavamos bem ensaiados e passar o som deixando sua via de monitoração confortavel houve uma descontração permitida quando tudo vai bem. Nos preparamos o máximo que conseguimos no curto espaço de tempo que tivemos, pois foi uma preparação de várias áreas, equipamento de som, equipamento do circo, cenografia, iluminação, reuniões com o teatro, e graças a isso deu tudo certo e tivemos sucesso de público. Mas é só o começo e queremos fazer muito mais coisas.

 

Over Metal: Além de integrar simultaneamente a Noturnall, Endrah e o Clearview, você também é produtor e professor. Consequentemente, você deve ter uma agenda bem cheia e um volume muito grande de trabalhos. Como você faz para conciliar toda a sua agenda sem que um compromisso atrapalhe o outro?

Henrique Pucci: Trabalho, trabalho e trabalho, é isso que eu acredito, porque você se torna apto a executar tarefas mais rápido e melhor e no final acaba um ajudando o outro, ter vários compromissos com a bateria faz você tocar melhor se desenvolver e não ficar alienado, conhecer diversos e excelentes músicos, ter a oportunidade de aprender e dividir experiência e no final fazer história que não será facilmente apagada, deixar um legado o qual me orgulho e passar muita arte, o mundo precisa cada vez mais de arte que é uma das coisas que nos faz humanos.

 

Over Metal: Henrique, para finalizar, gostaríamos de agradecer a oportunidade de conversar com um baterista de grosso calibre como você. Desejamos todo sucesso do mundo para você, e nos vemos em breve nos shows!

Henrique Pucci: Agradeço a oportunidade de trocar essa experiência, agradeço aos que acompanham o trabalho e as marcas que me apoiam, Tama, Aquarian, Ahead, Seven Cases e meu mais novo endorser fechado era semana a Paiste, marca de pratos que sempre sonhei e ter. Estou muito feliz nesse momento da minha vida, estudando o máximo que posso.

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