Resenha Banda Noturnall – Novo Álbum: 9

No primeiro álbum as bandas normamente mostram seu valor e suas técnicas, além de
boas canções para conquistar fãs. Coisa que não foi difícil para o Noturnall já que seus
integrantes são velhos conhecidos do cenário Heavy Metal nacional. E mesmo assim,
com o álbum autointitulado mostraram para o que vieram, culminando, inclusive, em
um DVD gravado logo no show de estreia.
Se no primeiro álbum a intenção era de se lançar no mercado, no segundo os voos
alcançaram maiores patamares com uma turnê pelo Brasil e exterior e ainda um show
memorável no aclamado festival Rock In Rio com a grande partição de ninguém menos
que Michael Kiske, eterno vocalista da banda alemã Helloween. Após isso a banda
viveu um hiato de quase um ano devido aos problemas internos e à saúde do vocalista,
Thiago Bianchi, que sofreu algumas internações médicas nesse período.
O aguardado terceiro CD de inéditas da banda era esperado pelos fãs com grande
ansiedade, visto que muitas partes do processo de composição, gravação e mixagem
puderam ser vistas pelas redes sociais dos integrantes que decidiram investir alto nesse
contato mais direto com seu público que pôde, inclusive, participar de sorteios e
interagir em tempo real com toda a banda.
Desse modo, então, nasce “9”, o terceiro full-length do Noturnall. Os cinco integrantes,
cada um com suas características únicas juntaram suas ideias e lançaram, até então, em
minha opinião, o melhor álbum da banda. Uma mistura de peso, agressividade e muita
melodia percorre cada faixa do CD, fazendo-nos lembrar até mesmo características de
suas antigas bandas, mas sem deixar de ser Noturnall. Aliás, esse é outro ponto alto da
banda. Com o terceiro álbum, o estilo é ainda mais perceptível e pode-se notar que é
Noturnall sem mesmo ter que dizer que é a banda. E isso se deve muito aos estilos que
cada integrante tem ao tocar seu instrumento e a poderosa e melodiosa voz do vocalista.
Noturnall acertou a receita mais uma vez e provam o porquê de serem grandes desde o
início.

Comentários faixa a faixa:

HEY! – A canção que abre o disco vem recheada de boas influências do Heavy Metal
com a modernidade dos teclados de Junior Carelli logo no início da canção. O refrão
marcante e melodioso na voz de Thiago Bianchi é o ponto alto da música me lembrando
até mesmo as linhas de vozes que fez para o álbum Leave Now! de sua antiga banda, o
Karma.

CHANGE – A bateria logo no início da música denuncia quem está por trás das
batidas. Aquiles fez nessa música um incrível trabalho, como todo realizado ao longo de
sua história. O peso e a melodia se misturam mais uma vez na canção. A agressividade
da música aumenta com o passar do tempo e o forte refrão marca uma característica
interessante. Já a palavra que dá nome a ela é cantada por fãs e amigos da banda como
em um grito de guerra. Vale a pena ir ao show e poder ver essa execução sendo feita ao
vivo.

WAKE UP – Essa foi a única música do álbum que precisei ouvir muitas vezes para
poder assimilar o que estava sendo feito, mesmo sendo a primeira faixa a ser liberada
meses antes do lançamento do álbum. Creio que isso se deu pela participação do
guitarrista Mike Orlando (Adrenaline Mob/Sonic Stomp). Não é uma de minhas
favoritas, mas é marcante pelo refrão, mais uma vez como em outras desse álbum, o
teclado no meio da música também é interessante e dá um clima denso à canção logo
antes dos solos de guitarra. E podemos ouvir e ter a certeza da versatilidade do
vocalista, Thiago Bianchi. Inclusive, se há palavras para defini-lo, essas palavras são
versatilidade vocal. Ele canta desde o grave até o mais agudo de sua voz em vocais
limpos, com drives, impostados…

MOVING ON – As melodias mais lentas dão início a uma música que se torna grande
com o passar dos minutos. O refrão mais melódico gera o contraponto tão marcante na
banda. Essa é uma das músicas em que o baixo de Fernando Quesada se mostra muito
presente acompanhando a bateria incansável de Priester, e até mesmo em um solo do
guitarrista, Léo Mancini, que voltou a banda após sua saída para se dedicar ao seu
projeto paralelo.

MYSTERIOUS – E aqui estamos de volta ao bom e velho Power Metal Melódico,
estilo que todos da banda já passaram em trabalhos anteriores. O ponto alto dessa
música, além do instrumental preciso e tocado velozmente na medida certa, fica a cargo
da voz do vocalista Thiago Bianchi que assumiu vocais mais limpos e agudos,
característica essa que nunca deve ser perdida por ele já que sua voz se encaixa
perfeitamente no estilo. E, diga-se de passagem, estávamos mesmo sentindo falta dessa
potência nos vocais agudos do Thiago, que deu a volta por cima após internações
médicas, inclusive, em UTI. O refrão dessa bela canção é também daqueles grudentos
que saímos cantarolando por aí enquanto estamos fazendo outras coisas que não
ouvindo o CD da banda.

HEARTS AS ONE – A mais bela balada da banda merecia um clipe à altura. E mais
uma vez o quinteto acertou em cheio com essa emocionante música levada ao toque de
violão com uma bela introdução de piano. Suave na medida certa e com uma letra que
vale a pena ser cantada a plenos pulmões. Além de tudo, a banda cedeu 100% do
dinheiro arrecado com visualizações para o Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança
com Câncer (GRAAC).

WHAT YOU WAITING FOR – A música já começa com um grito de guerra a favor
dos nossos sonhos e amores. Uma canção pesada com a precisão na pegada dos
instrumentais e vocais que variam do mais agressivo ao melódico. E por falar em
instrumentais, as viradas de bateria do Aquiles nessa música fazem jus ao seu apelido de
Polvo. Essa música também nos presenteia com um lindo e bem trabalhado solo de
baixo de Fernando Quesada.

SHADOWS – Uma música que varia entre o Metal Progressivo, com tempos
quebrados, e o Metal Melódico. Perfeita para ser cantada com o público o seu refrão
pegajoso e, com certeza, uma bela aposta para ser tocada ao vivo. No meio da música os
já conhecidos teclados modernos de Juninho Carelli nos remetem ao som de bandas
Americanas que tocam o New Wave of American Heavy Metal.

PAIN – Mais uma linda balada criada pela banda. O clima mais “light” e suave
percorre toda a canção. A impressão é de libertação. Mais uma música que daria um
belo vídeo clipe e seria facilmente aceita em uma apresentação mais intimista e acústica
que a banda possa fazer no futuro.

O Conceito:

Não poderia falar do álbum “9” sem falar de seu rico conceito criado por Thiago
Bianchi. A opinião do tema abordado pelo vocalista varia entre os demais integrantes,
mas o enigmático conceito por trás das artes do encarte do CD é toda baseada no
mistério do número 9. Um número que misticamente é conhecido por ser o número da
evolução, da espiral que sobe infinitamente, passando por diversos estágios, por
variados ciclos. História que se entrelaça com a da banda. Pois, segundo Thiago
Bianchi, na entrevista concedida em uma coletiva de imprensa em São Paulo, a banda
passou por problemas internos entre os integrantes que cogitaram, inclusive, no fim até
mesmo da amizade dos músicos no que poderia acarretar no fim da banda. A arte
desenvolvida por Carlos Fides é recheda de simbolismo como grafias sumérias, o
mistério em torno do 9° planeta, um possível apocalipse e, claro, a mascote da banda
sempre presente acompanhando todo o possível fim do planeta Terra. Vale um estudo
mais atento a todos os temas abordados no álbum.

Considerações Finais:

Com esse álbum o Noturnall conseguiu mais uma vez fazer um dos melhores
lançamentos de 2017. Criaram, inovaram, se arriscaram e apostaram alto em tecnologia
com lançamentos inéditos para bandas de metal nacional, incluindo até mesmo um
Pedrive que trará todo o conteúdo lançado em sua carreira, um vídeo game, headphone
e produtos personalizados. Ouçam o CD e descubram que o nosso Metal Brazuca está
mais vivo que nunca e será eternizado por músicos comprometidos e apaixonados pela
arte. Aquiles, Fernando, Léo, Juninho e Thiago provaram mais uma vez que a força de
vontade, trabalho duro e muita inspiração podem criar belas obras como o álbum “9”.

ESCRITO POR: Tiago Anderson.
Julho de 2017

2 comentários em “Resenha Banda Noturnall – Novo Álbum: 9

  • 31/07/2017 em 7:35 PM
    Permalink

    A banda Noturnall tá de parabéns,esse álbum como os outros dois estão fantásticos..
    É muito legal ver uma banda brasileira com tanta qualidade assim.
    Na banda tudo é bom,sendo ela no instrumental e nas vozes marcantes do Thiago Bianchi…
    Esse 3°new álbum da Noturnall é aqueles que você curti do começo ao fim.
    Produção fantástica!!!

    Resposta
  • 22/08/2017 em 1:38 PM
    Permalink

    O principal de uma banda é a sua música, que no caso da Noturnall não precisa mais de adjetivos para expressar a qualidade acima da média.

    O que mais me chamou a atenção nesse novo trabalho foi o DLP, um conceito de vinil misturado com a tecnologia de um pen drive. Muito Foda! Vale a pena o investimento nessa obra de arte.

    Resposta

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