Terrorsphere – Blood Path (2016)

Terrorsphere – Blood Path (2016)
(Independente – Nacional)

Por Leandro Vianna

Mesmo que o Heavy Metal não seja um estilo comercialmente viável no Brasil, bandas novas surgem o tempo todo em nosso país. Existem aquelas que maturam bem o seu som antes de lançar algo, existem aquelas que se apressam e acabam soltando algo de forma apressada, na ânsia de ter seu primeiro registro, e temos também aquelas que, por possuírem músicos com alguma experiência, podem se dar ao luxo de pular certas etapas.

É nesse último grupo que se encaixa o Terrorsphere, banda surgida em Londrina/PR no ano de 2014 e que no ano passado soltou seu EP de estreia, Blood Path. E aqui resolveram não inventar muito, apostando as suas fichas naquele Death Metal mais tradicional, com uma pegada que remete diretamente aos anos 90 e mostrando técnica de sobra. Não é sem motivo que nomes como Cannibal Corpse ou Angelcorpse vêm à sua mente durante a audição. Os caras esbanjam qualidade. E vale dizer que, apesar dessa sonoridade mais old school, em momento algum soam datados, já que conseguiram trabalhar suas referências de forma a soarem atuais (mas sem soarem “modernosos”). É uma banda de personalidade.

A música executada pelo quarteto formado por Werner Lauer (vocal/baixo), Udo Lauer (guitarra), Francisco Neves (guitarra) e Victor Oliveira (bateria) é não só enérgica, como muito bruta e agressiva. Apesar de mostrarem possuir ótima técnica, não abusam da mesma, conseguindo encontrar um equilíbrio nesse sentido, o que acaba por tornar a audição de Blood Path algo muito agradável. Pesa a esse favor também o fato do material ser bem variado, já que alternam bem entre os momentos mais velozes e os mais cadenciados, evitando assim aquela sensação incômoda de se escutar uma mesma música por muito tempo.

São 5 verdadeiras pedradas em pouco mais de 20 minutos. “Assassinos”, a única cantada em português, é bem veloz, direta e bruta, possuindo o refrão mais forte de todo o EP, enquanto “War Curse” possui boas mudanças de andamento e partes cadenciadas que tornam tudo mais interessante (somem-se a isso os bons riffs e o ótimo desempenho da dupla Werner Lauer e Victor Oliveira). Já “Terror Squad” talvez seja a canção menos técnica de todo o trabalho, apesar de bem variada. Ainda assim, é altamente agressiva. “Blood Path” flerta de forma saudável com o Thrash Metal e tem riffs matadores, enquanto “Mind Control” é a mais bruta de todo o EP.

Ainda assim, mesmo com tamanha qualidade, algumas ressalvas podem e devem ser feitas. A primeira é a respeito dos vocais de Werner Lauer. Alguma coisa não bate, ele destoa do instrumental, soa um pouco deslocado e causa certo estranhamento. Ou se trabalha melhor o mesmo daqui para frente, ou Werner assume apenas o baixo (onde ele soa excepcional), deixando a função para outro nome que venha a entrar na banda. A outra ressalva se dá a respeito da produção. Por mais que tenham acertado na escolha dos timbres e tudo esteja audível, ocorreu um exagero em matéria de crueza e sujeira. Pode funcionar para algumas vertentes dentro do próprio Death Metal, mas quando se trata de uma sonoridade mais técnica, como a apresentada pelo Terrorsphere, algo mais polido seria ideal. Vide como exemplo o último álbum de estúdio do Cannibal Corpse. Claro, não estou aqui pedindo o mesmo nível de produção, mas trabalhar um pouco mais a mesma tornaria a música do quarteto paranaense ainda mais interessante. Vale destacar o belo trabalho gráfico aqui presente, obra de Jean Michel, da Designations Artwork.

O Terrorsphere não inova musicalmente, mas utiliza suas influências com uma competência ímpar, gerando assim uma música que, mesmo sem revolucionar, possui personalidade, algo raro nos dias de hoje. Agressivo, bruto, técnico e criativo, tem tudo para entrar no primeiro time do Metal Nacional, bastando para isso aparar as arestas aqui apontadas. Um dos nomes mais promissores dessa nova geração do Metal no Brasil.

Track List:

01. Assassinos
02. War Curse
03. Terror Squad
04. Blood Path
05. Mind Control

Line Up:

Werner Lauer (vocal/baixo);
Udo Lauer (guitarra);
Francisco Neves (guitarra);
Victor Oliveira (bateria).

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